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Meio Ambiente

Família de quero-queros faz ninho em pracinha de escola infantil em Canoas

Desde setembro, presença das aves na EMEI Ulysses Machado Filho mobiliza a comunidade escolar e ensina às crianças a importância da preservação ambiental
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Foto: Vinícius Medeiros/PMC

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Uma família de quero-queros transformou a pracinha da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Ulysses Machado Filho, em Canoas, em um espaço de aprendizado sobre a natureza e o respeito aos animais. Desde setembro, a presença das aves mobiliza professores, equipes da escola e estudantes, que acompanham de perto o desenvolvimento dos filhotes e ajudam a garantir a segurança dos animais.

O ninho foi construído diretamente no chão, em uma área utilizada pelas crianças para brincar. Ao perceberem a presença das aves, as equipes da escola buscaram orientações dos órgãos competentes e providenciaram o isolamento do espaço, garantindo tranquilidade para que os animais pudessem se desenvolver sem interferências. A iniciativa também se tornou uma oportunidade de aprendizagem para os pequenos. Na tarde desta quarta-feira (28), as crianças participaram de uma atividade educativa conduzida pela bióloga do Minizoo, Renata Gautier, que abordou a espécie e a importância da preservação da fauna.

“Receber essa família de quero-queros é motivo de muita alegria e orgulho para a nossa escola. Os filhotes foram acolhidos com muito amor e carinho, e a comunidade escolar se mobilizou para preservar o espaço e garantir a segurança das aves. Como forma de reconhecimento, os alunos também receberão um certificado de protetores dos quero-queros. É uma experiência que ensina às nossas crianças, na prática, a importância de respeitar e preservar a natureza e os animais”, destaca a coordenadora de projetos da Secretaria Municipal de Educação, Luana Galdina da Fontoura Vieira.

Para a bióloga Renata Gautier, a presença dos animais no ambiente escolar deve ser vista como uma oportunidade de aproximar as crianças da natureza e proporcionar experiências educativas significativas.

“Em um momento em que se fala tanto sobre o desemparedamento das crianças, da necessidade do contato com a natureza, vivenciar essa experiência na escola é um privilégio. Muitas vezes, a presença de animais silvestres é vista como um problema, mas ela pode se transformar em uma grande oportunidade de aprendizagem. As crianças estão cedendo temporariamente esse espaço de brincadeiras para que a família de quero-queros, que hoje está com três filhotes, possa se desenvolver com segurança. Assim, elas aprendem, na prática, a respeitar os animais e a importância de preservar a vida”, ressalta.

A experiência também tem despertado a curiosidade e a expectativa dos estudantes, que acompanham cada etapa do desenvolvimento das aves. A professora da turma do Jardim 2B, Rita de Cássia Almeida de Souza, conta que a chegada dos animais coincidiu com a preparação das atividades da Semana Farroupilha, quando o quero-quero já havia sido escolhido como tema da gincana da turma.

“Os quero-queros chegaram justamente na semana em que realizamos a nossa festa Farroupilha. Coincidentemente, o nome da gincana da turma era Quero-Quero, e logo percebemos que as aves estavam construindo um ninho na escola. Procuramos os órgãos competentes, recebemos orientações e isolamos a pracinha para preservar o espaço e não interferir nesse momento tão importante para os animais. Desde então, conversamos bastante com as crianças sobre o tempo de incubação dos ovos e o nascimento dos filhotes. Agora que eles nasceram, a turma está muito ansiosa e feliz por acompanhar essa nova etapa”, relata.

Ave símbolo do RS

O quero-quero é conhecido pelo comportamento territorial, especialmente durante o período de reprodução. Como constrói seus ninhos diretamente no chão, em gramados e outros espaços abertos, a ave pode realizar voos rasantes para afastar quem se aproxima dos ovos ou dos filhotes.

Por isso, a orientação é respeitar o espaço dos animais, evitar aproximações desnecessárias e não tentar tocar, remover ou destruir o ninho. A proteção dos ninhos de espécies silvestres é prevista na legislação ambiental brasileira, e a destruição ou alteração desses locais pode configurar crime ambiental.

A Lei Federal nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, prevê sanções para quem modifica, danifica ou destrói ninhos, abrigos ou criadouros naturais da fauna silvestre. Já a Lei Federal nº 5.197/1967 estabelece a proteção da fauna e de seus ninhos e abrigos. No Rio Grande do Sul, o quero-quero também tem um significado especial: é a ave símbolo do Estado, conforme a Lei Estadual nº 7.418/1980.

Para orientações ou dúvidas sobre animais silvestres, o contato com a equipe do Minizoo pode ser feito por meio do WhatsApp (51) 99787- 1078.