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Saúde

Certea de Canoas promove grupo de convivência para adolescentes autistas

Esta será a primeira experiência do Certea com jovens classificados nos níveis 1 e 2 de suporte que apresentam condições para desenvolver atividades de socialização em grupo
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Foto: Vinícius Medeiros/ PMC

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O Centro de Referência em Transtorno do Espectro Autista (Certea) de Canoas inicia, na próxima quinta-feira (17), às 10 horas, uma nova modalidade de atendimento voltada a adolescentes autistas, com a criação de um grupo de convivência e psicoeducação destinado a jovens de 12 a 17 anos que estão em acompanhamento no Centro.

A iniciativa tem como principais objetivos promover a socialização, o desenvolvimento de habilidades sociais, a autonomia e a participação social dos adolescentes. Esta será também a primeira experiência do Certea com jovens classificados nos níveis 1 e 2 de suporte que apresentam condições para desenvolver atividades de socialização em grupo.

Os participantes serão divididos em duas faixas etárias: um grupo reunirá adolescentes de 12 a 14 anos e o outro será formado por jovens de 15 a 17 anos. Os encontros ocorrerão semanalmente, terão duração de uma hora e serão conduzidos por profissionais do serviço. A proposta é estimular a convivência e a interação entre os próprios adolescentes, respeitando suas características individuais e valorizando seus interesses. As atividades serão construídas de maneira participativa, com os jovens tendo papel ativo na definição das oficinas e demais ações.

“A proposta metodológica será participativa, priorizando o protagonismo dos adolescentes na construção das atividades. As oficinas e demais atividades serão planejadas a partir dos interesses e das preferências manifestadas pelos próprios participantes, para que possamos favorecer o engajamento, o sentimento de pertencimento e a interação entre os pares”, explica a enfermeira Cristiane Campos, uma das executoras do projeto.

Além dos encontros destinados aos adolescentes, a iniciativa também prevê a participação das famílias. Na última semana de cada mês, será realizada uma oficina específica com os familiares, com orientações e espaço para troca de experiências. Enquanto os adolescentes participarem do grupo de convivência, os familiares estarão envolvidos simultaneamente nessa atividade.

A equipe do Certea também já projeta os próximos passos do projeto. Segundo a, gerente de Projetos Intersetoriais e integrante do Comitê de Gestão e Acompanhamento do Certea, Andréa da Silva Avanze, a intenção é incorporar, nas etapas seguintes, práticas de artes como desdobramento do grupo de convivência.

“A proposta é oferecer aos adolescentes um canal de expressão e elaboração por meio da arte, com pintura, colagem, modelagem, música, escrita criativa e narrativas visuais, respeitando seus ritmos e modos próprios de se expressar. Não se trata de ensinar uma forma correta de dizer, mas de oferecer um espaço em que o que emerge do corpo e do psiquismo possa ser acolhido sem a cobrança de explicar logo, sem a pressa de traduzir em palavras o que ainda está sendo sentido”, explica.

Segundo Andréa, para as famílias, isso significa um apoio concreto na elaboração psíquica dos adolescentes, ajudando no desenvolvimento das expressões e no modo como cada um reconhece e lida com suas emoções. “O trabalho com a via da arte pelo enfoque da psicoeducação não substituiria as ações já planejadas, mas as aprofundaria, favorecendo a elaboração psíquica, a autoexpressão e a construção de vínculos. Assim, o Certea reafirma seu compromisso com uma atenção integral, humanizada e continuada, na qual cada jovem possa conviver, criar e florescer, não apesar de sua singularidade, mas a partir dela”, conclui.